eu mudei muito nos últimos anos

eu mudei muito nos últimos anos, eu me reinventei de todas as formas possíveis e impossíveis pra me encaixar em qualquer lugar que não fosse em mim (coitada de mim com esse pensamento infeliz), todos os lugares do mundo pareciam melhor que minha própria carcaça. é difícil descobrir que depois de tanto tempo, a gente só corre e corre pra chegar em lugar nenhum. porque confesso que demorei pra aceitar e entender que era em mim o único lugar que eu poderia me encaixar, que eu era a única pessoa que poderia me salvar de mim, do mundo, de tudo e todos. porque a gente tem vivido demais pra fora, sem saber olhar pra dentro. mesmo que você diga que não é assim, você tem certeza? você realmente limpou tudo ai? ou ainda tem restos de dores passadas, amores incompletos e memórias estragadas? não que eu seja alguém pra dizer o que se deve carregar no peito, mas se eu pudesse dizer, eu diria carregue o mundo, o que você quiser, seja livre, seja imensidão. mas a primeira coisa que você tem que aprender a carregar é você mesmo, ai depois, bom, depois você só vai carregar coisa boa, não precisa de dica, nem de conselho do que levar; quando você aprende a se amar nada mais importa. não é fácil, não é fácil ter amor próprio verdadeiro, porque não é só amar seu corpo, ou suas atitudes, é amar sua alma, seus gostos, seus medos, seus erros, suas derrotas, suas vitórias, é amar tudo que você foi, tudo que será, amar tudo que vier de você, independente do que seja, porque quem julga o que é bom ou ruim é só você, sentir esse amor próprio verdadeiro é se amar por inteiro. e digo que, na minha concepção você só será feliz ou estará no caminho pra isso, quando quiser e quando começar de alguma forma acreditar que você é a primeira coisa que deve carrega no peito, na mente e nas mãos, o resto, ah… meu bem, o resto é conversa.

Bianca Autran